Olha o do estagiário! Com custo estimado de quase R$ 200 milhões, agências serão contratadas pelo governo Lula para cuidar de redes sociais

Read Time3 Minute, 26 Second

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência está em processo de contratação de empresas para assumir a gestão digital do governo Lula. O edital de licitação estipula um investimento de R$ 197 milhões para a contratação de quatro agências. No dia 6 de fevereiro, a Secom iniciou a análise das propostas apresentadas pelas empresas concorrentes.

As empresas selecionadas terão a responsabilidade de moderar e administrar os conteúdos veiculados nas redes sociais dos Ministérios e das pastas vinculadas à Presidência. Os contratos terão uma duração inicial de um ano, com a possibilidade de prorrogação, e as vencedoras serão remuneradas aproximadamente R$ 49 milhões cada.

Uma das demandas do governo é que as empresas utilizem “técnicas de machine learning e A.I (inteligência artificial) para realizar a análise de sentimento de notícias de interesse do Governo Federal”. Outra condição para a seleção envolve a realização de pesquisas “de alta intensidade” nas redes sociais sobre assuntos relacionados ao governo. Essas atividades visam, por exemplo, avaliar a recepção das ações do presidente Lula e de seus ministros no cenário digital.

Em dezembro do ano passado, o ministro da Secretaria de Comunicação (Secom), Paulo Pimenta, comunicou sua intenção de contratar serviços para impulsionar as redes sociais do governo e desenvolver uma “política digital”. O ambiente digital ainda permanece como um território predominantemente bolsonarista, especialmente em aplicativos de troca de mensagens como Telegram e WhatsApp.

“Não existe na Secom um contrato de publicidade e de produção de conteúdo digital. Qualquer empresa, governo estadual ou prefeitura tem”, disse Pimenta em entrevista ao jornal O Globo. “Hoje, nós não fazemos impulsionamento institucional, não temos uma política nesse sentido. Só existe uma política publicitária. Não tem na área digital”, completou.

A concorrência para a licitação adotou o formato de melhor técnica em vez de melhor preço, conforme critério estabelecido pelo governo. As empresas interessadas em obter os contratos milionários tiveram até a última terça-feira, 5, para apresentar propostas técnicas e de preços que demonstrem sua capacidade de realizar tarefas como mapeamento da presença digital dos Ministérios e produção de podcasts.

A escolha do governo Lula pela modalidade de julgamento impede a desclassificação das concorrentes devido a preços elevados que possam eventualmente ser cobrados pelos serviços. Isso implica que o custo da contratação pode ultrapassar os R$ 197 milhões, desde que as empresas demonstrem competência técnica e expertise para atender às demandas estabelecidas.

A pasta justificou no edital que a contratação “tem como objetivo o atendimento ao princípio da publicidade e ao direito à informação, por meio de ações de comunicação digital que visam difundir ideias e princípios, posicionar instituições e programas, disseminar iniciativas e políticas públicas, informar e orientar o público em geral”.

A Secretaria de Comunicação (Secom) está exigindo das empresas a inovação na criação, implementação e desenvolvimento de estratégias de comunicação digital, com o objetivo de ampliar o alcance das mensagens e conteúdos governamentais. Uma das apostas principais do governo Lula para fortalecer a presença do ex-presidente nas redes sociais foi o podcast semanal “Conversa com o presidente”, porém, este não obteve o sucesso esperado em termos de audiência e não alcançou o impacto das lives semanais realizadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os contratos na área de comunicação e propaganda assinados pela Secom têm histórico de valores elevados, atingindo cifras na casa dos três dígitos de milhões. Atualmente, a secretaria mantém acordos com quatro agências de publicidade responsáveis pela coordenação das campanhas midiáticas do governo. Cada uma dessas empresas recebeu pelo menos R$ 450 milhões no contrato inicial de um ano firmado em 2022.

Uma investigação da Controladoria-Geral da União (CGU), conforme revelado pelo Estadão, aponta que uma das empresas contratadas pela Secom durante o governo Bolsonaro e que teve seus contratos renovados pela administração Lula está sendo investigada por fraude em licitação ocorrida durante o mandato do ex-presidente Michel Temer (MDB). A Agência Nacional de Comunicação, mesmo sob escrutínio da área de fiscalização, possui contratos que ultrapassam R$ 920 milhões com o governo federal. O sócio-presidente da empresa já foi condenado por corrupção em campanhas publicitárias que teriam sido superfaturadas em Rondônia.

Com informações de Estadão


Política de Privacidade.
Este site utiliza cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e desempenham funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis. Mais informações (clique aqui)
Cookies necessários

O cookie estritamente necessário deve estar ativado o tempo todo para que possamos salvar suas preferências de configuração de cookies.