
O preço do azeite pode cair uns 10% “daqui pra frente” no Brasil
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Produção na Europa é histórica, aumentando a safra mundial, e a isenção de impostos contribuem para azeite ficar mais barato no Brasil
O preço do azeite no mercado brasileiro poderá apresentar uma redução de até 10% nos próximos meses de 2025, segundo projeções do setor, impulsionado pela combinação de dois fatores decisivos: a recuperação significativa da safra global de azeitonas e a recente eliminação da alíquota de 9% do imposto de importação sobre o produto, promovida pelo governo federal.
De acordo com dados do International Olive Council (IOC), a produção mundial de azeite na safra 2024 e 2025 deve alcançar aproximadamente 3,375 milhões de toneladas, somando todas as categorias. Se essa estimativa se confirmar, representará um aumento de cerca de 32% em relação à safra anterior, da temporada 2023 e 24, configurando uma das maiores recuperações produtivas da história recente.
“Esse volume adicional deve aliviar a pressão sobre os preços internacionais, que já registraram uma redução significativa nos últimos meses”, explica Casarin. Entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2025, o preço internacional do azeite recuou de cerca de US$ 10 mil para US$ 5.500 por tonelada.
Para o Brasil, altamente dependente de importações, o efeito é claro. “O Brasil importa praticamente a totalidade do azeite que consome, e, por isso, essas movimentações no mercado internacional impactam diretamente a nossa realidade”, afirma Casarin. Ele destaca ainda que, nesse contexto de recuperação global, a Itália, tradicional produtora, contribui com cerca de 240 mil toneladas nesta safra — aproximadamente 6,6% da produção mundial —, mantendo-se como uma referência importante em qualidade e tradição. “Embora a Itália não lidere em volume, sua produção segue sendo um parâmetro de excelência e autenticidade, especialmente para o segmento premium, que é altamente valorizado pelos consumidores brasileiros”, acrescenta Casarin.
Entraves logísticos e tributários moderam o impacto
Entre os principais entraves estão os contratos de importação previamente firmados, cujos valores ainda refletem os patamares mais elevados do período anterior à recuperação da safra, e os custos logísticos, que seguem pressionados, sobretudo em função das tarifas de transporte marítimo e seguros.
Além disso, as margens de distribuição e a estrutura tributária nacional — com tributos como ICMS e PIS/COFINS — continuam a influenciar significativamente o preço final ao consumidor brasileiro. “Embora o cenário seja positivo, não se deve esperar uma queda abrupta. O consumidor começará a perceber esse movimento ao longo de 2025, especialmente nas marcas mais dependentes das importações europeias”, explica Casarin.
Apesar do alívio proporcionado pela recuperação produtiva e pelas medidas fiscais, os preços no Brasil ainda não refletem integralmente a redução observada no mercado internacional. Entre os fatores que limitam essa transmissão, Casarin destaca:
Custos logísticos internacionais elevados;
A valorização do euro frente ao real, que encarece as importações;
A manutenção de tributos internos, como ICMS e PIS/COFINS;
A presença de estoques antigos, adquiridos a preços mais altos, ainda em comercialização;
A possibilidade de margens de distribuição mais elevadas, sustentadas pela percepção de qualidade superior e pela volatilidade do mercado.
“A análise reforça que, embora os fundamentos globais sejam favoráveis à redução de preços, o mercado brasileiro seguirá condicionado por fatores estruturais que limitam a imediata transmissão dessas quedas ao consumidor”, pontua Casarin. “Estamos diante de um cenário de ajuste progressivo, no qual as condições de oferta melhoram, mas a complexidade da cadeia impede uma rápida repercussão nos preços finais.”
Fonte: Band Agro.




